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# Guia de ações para dividendos

Dividendos são a parcela do lucro líquido de uma companhia distribuída aos seus acionistas. No Brasil, a Lei das S.A. determina um percentual mínimo obrigatório de distribuição, definido no estatuto social de cada empresa — mas esse mínimo pode ser suspenso ou reduzido, o que reforça a importância de acompanhar de perto os fundamentos das companhias investidas.

Além dos dividendos em dinheiro, as empresas também remuneram acionistas via Juros sobre Capital Próprio (JCP, tributados em 15% na fonte, mas dedutíveis para a empresa pagadora), bonificações em ações e programas de recompra — que reduzem as ações em circulação e aumentam a participação proporcional de cada acionista nos lucros futuros.

O indicador mais usado para comparar pagadoras de proventos é o **Dividend Yield (DY)** — a razão entre os proventos pagos por ação nos últimos 12 meses e o preço atual da ação. Uma empresa que paga R$ 2,00/ação com preço de R$ 15,00 tem DY de 13,3%; mesmo que outra pague um valor nominal maior por ação, seu DY pode ser inferior se o preço também for proporcionalmente mais alto — por isso o yield, e não o valor absoluto do provento, é o que permite comparar companhias de forma justa.

### Como selecionamos as ações desse guia

**Boas pagadoras**&#x20;

Empresas com histórico robusto e previsível de proventos, como as dos setores elétrico e bancário — garantem fluxo de dividendos já no curto prazo.

**Recuperação**&#x20;

Companhias com histórico consistente de dividendos que atravessam um desafio momentâneo na distribuição de lucros, mas com potencial de normalização.

**Crescimento**&#x20;

Empresas em boa fase de expansão que, no futuro, têm potencial para se tornarem excelentes pagadoras — turbinando o retorno de longo prazo da carteira.

## Taesa

### A maior transmissora privada de energia do Brasil

**TAEE3/TAEE11**

<figure><img src="/files/HOTQGMjGIAKommTEBbr2" alt=""><figcaption></figcaption></figure>

A Taesa (Transmissão Aliança de Energia Elétrica) surgiu em 2003 da fusão da EnelPower, TSN e Novatrans; passou a se chamar Terna S.p.A. em 2006, ano de seu IPO na B3, e adotou o nome atual em 2009.&#x20;

Em quase 20 anos, cresceu de 8 para 44 concessões, elevando sua Receita Anual Permitida (RAP) total de R$ 0,8 bilhão para R$ 4,4 bilhões — já tendo investido R$ 21 bilhões ao longo de sua história, R$ 7 bilhões apenas nos últimos cinco anos.&#x20;

A companhia está presente em 18 estados e no Distrito Federal, interconectando as 5 regiões do país com mais de 15,3 mil km de linhas de transmissão (14,5 mil km em operação, o restante em construção — projetos Ananaí, Tangará, Saíra e Juruá).

A Taesa atua exclusivamente na implantação, operação e manutenção de linhas de transmissão e subestações, conectando geradoras a distribuidoras e grandes consumidores.&#x20;

O principal diferencial do segmento é a previsibilidade de receita: a maior parte da remuneração vem da RAP, valor contratual reajustado pela inflação, o que torna o fluxo de caixa estável e pouco dependente do consumo ou preço da energia.&#x20;

Esse perfil mais defensivo que geração e distribuição, aliado a custos operacionais baixos após a entrada em operação dos projetos, sustenta margens elevadas e forte geração de caixa.&#x20;

A companhia também tem investido em digitalização e automação — monitoramento em tempo real, sensores e inspeções por drone — para aumentar eficiência e segurança de seus ativos, além de participar de novos leilões de transmissão para expandir sua base de concessões.

|                   |                                       |                                  |                         |
| ----------------- | ------------------------------------- | -------------------------------- | ----------------------- |
| **44** concessões | **15,3 mil km** linhas de transmissão | **18 + DF** estados com presença | **R$ 4,4 bi** RAP total |

### 1T26: crescimento de receita e RAP sustentam o resultado

| Indicador (regulatório) | 1T25                | 1T26                | Var.       |
| ----------------------- | ------------------- | ------------------- | ---------- |
| Receita líquida         | R$ 597,9 mi         | R$ 655,5 mi         | **+9,6%**  |
| EBITDA (margem)         | R$ 509,6 mi (85,3%) | R$ 562,1 mi (85,8%) | **+10,3%** |
| Lucro líquido           | R$ 365,2 mi         | R$ 353,6 mi         | **-3,2%**  |

O crescimento veio da entrada parcial dos projetos Tangará e Saíra, reforço na ATE III e melhora de R$ 3,7 milhões na Parcela Variável. O CAPEX somou R$ 312,2 milhões (+16,6%), e a dívida líquida proporcional subiu 10,6% a/a para R$ 12,76 bilhões.&#x20;

O Conselho aprovou R$ 192,6 milhões em JCP — 100% do lucro líquido regulatório do trimestre. A companhia negocia hoje a um P/L de \~8,51x, levemente acima da média histórica de 8,25x.

{% hint style="success" %}
**Dividendos** (peso não informado) Mínimo estatutário de 50% do lucro ajustado, com proposta de 90–100% do lucro regulatório a partir de 2025. Pagamentos mais prováveis em maio, agosto e dezembro.
{% endhint %}

* **Governança** (peso 15%) — Boa; controlada por Cemig (36,97% ON) e ISA Brasil (26,03% ON). CEO Rinaldo Pecchio Junior desde fev/2024.
* **Potencial de crescimento** (peso 20%) — Forte geração de caixa regulada e oportunidades em novos leilões de transmissão, com a expansão da demanda por energia.
* **Previsibilidade** (peso 20%) — Alta — receita majoritariamente contratual via RAP, reajustada pela inflação e pouco dependente do consumo de energia.
* **Estrutura de capital** (peso 15%) — Boa estabilidade financeira, com estrutura de capital bem otimizada mesmo em ritmo forte de investimentos.
* **Vantagens competitivas** (peso 20%) — RAP de R$ 4,4 bi, 44 concessões com prazo médio remanescente de 15 anos e histórico de crescimento sem comprometer o crédito.

**Valuation:** partindo de lucro líquido aceitável de R$ 1,7 bilhão e \~1 bilhão de ações, chegamos a um LPA aceitável de R$ 1,70. Com P/L justo de 7,6x e P/VPA justo de 1,8x, o modelo quantitativo de Graham Modificado aponta R$ 13,16/ação para TAEE3. Os atributos qualitativos somam 90%, resultando em Valor Justo = 13,16 × (1 + 0,90) = **R$ 25,00/ação (TAEE3)** — recomendação de compra.

## Ferbasa

### A única produtora verticalizada de ferrocromo das Américas

**FESA3/FESA4**

<figure><img src="/files/Pe695xM3327XzPYNyo9H" alt=""><figcaption></figcaption></figure>

Fundada em 1961 por José Carvalho em Campo Formoso (BA), a Ferbasa é uma das principais produtoras brasileiras de ferroligas, com forte presença em ferrocromo e ferrossilício e atuação também na mineração de cromita.&#x20;

Consolidou uma operação verticalizada — mineração, produção industrial e geração própria de energia — que aumenta eficiência e competitividade.&#x20;

A controladora é a Fundação José Carvalho, criada pelo fundador para financiar projetos sociais e educacionais na Bahia e detentora de 98,8% das ações ordinárias, o que confere à companhia um perfil historicamente conservador, com baixa alavancagem e visão de longo prazo — parte relevante dos dividendos distribuídos financia as atividades da fundação.

A companhia atua em quatro linhas de negócio: mineração de cromita e quartzo (Centro-Norte e Nordeste da Bahia), florestamento (64 mil hectares, 25 mil de eucalipto renovável — fonte do biorredutor usado na metalurgia), metalurgia (Ferrocromo Alto/Baixo Carbono, Ferrossilício e Ferrossilício 75 Alta Pureza, fabricados em 14 fornos elétricos em Pojuca/BA) e energia (Complexo Eólico BW Guirapá, 7 parques, 170,2 MW, PPA com a CCEE até 2036).&#x20;

Aproximadamente metade da receita é exportada para Ásia, Europa e Américas, tornando o modelo fortemente ligado ao ciclo global do aço inoxidável.

**Mineração & Florestamento** — Cromita, quartzo, cal virgem e 25 mil ha de eucalipto renovável para biorredutor.

**Metalurgia & Energia** — 14 fornos elétricos em Pojuca/BA e complexo eólico próprio de 170,2 MW.

### 1T26: balanço sólido apesar do trimestre fraco

| Indicador                | 1T25               | 1T26              | Var.          |
| ------------------------ | ------------------ | ----------------- | ------------- |
| Receita líquida          | R$ 549,8 mi        | R$ 506,4 mi       | **-7,9%**     |
| EBITDA ajustado (margem) | R$ 61,1 mi (11,1%) | R$ 44,1 mi (8,7%) | **-27,8%**    |
| Produção consolidada     | 75,9 mil t         | 72,6 mil t        | **-4,3%**     |
| CPV / receita líquida    | 86,5%              | 90,6%             | **+4,1 p.p.** |
| Resultado líquido        | R$ 24,2 mi         | -R$ 2,4 mi        | n.d.          |

A queda de 8% no volume vendido e a redução de 10,3% no dólar médio pressionaram a receita, enquanto o CPV caiu apenas 3,6% — comprimindo margens. Ainda assim, o caixa líquido de R$ 731 milhões (+R$ 12,6 mi vs. 4T25) sustenta um balanço sólido, e o P/L de \~13,7x segue atrativo.

* **Dividendos** — Mínimo de 25% do lucro líquido. Pagamentos mais prováveis em setembro, janeiro, junho e dezembro.
* **Governança** (peso 10%) — Boa; controlada pela Fundação José Carvalho (98,8% ON), que depende da Ferbasa para sua sobrevivência.
* **Potencial** (peso 15%) — Moderado — verticalização favorece eficiência, mas há forte dependência do ciclo de commodities.
* **Previsibilidade** (peso 10%) — Moderada, dada a ciclicidade das commodities produzidas.
* **Estrutura de capital** (peso 20%) — Boa estabilidade financeira, estrutura de capital sempre bem otimizada.
* **Vantagens competitivas** (peso 15%) — Estrutura verticalizada única entre pares e situação financeira adequada mesmo após novos investimentos.

**Valuation:** lucro líquido aceitável de R$ 520 milhões e \~350 milhões de ações resultam em LPA aceitável de R$ 1,48. Com P/L justo de 9,0x e P/VPA justo de 1,0x, o modelo quantitativo aponta R$ 11,18/ação (FESA4). Os atributos qualitativos somam 70%, resultando em Valor Justo = 11,18 × (1 + 0,70) = **R$ 19,00/ação (FESA4)**.

## BB Seguridade

### A holding de seguros do maior banco do Brasil

**BBSE3**

<figure><img src="/files/d56LJU15roKbjQjkWmKx" alt=""><figcaption></figcaption></figure>

Criada em 2012 como holding dos negócios de seguros, previdência, capitalização e corretagem do Banco do Brasil (que atua nesses mercados desde 1981), a BB Seguridade abriu capital em 2013 e se consolidou como uma das principais empresas do setor segurador brasileiro.&#x20;

Opera por meio de duas controladas: a BB Corretora, que distribui os produtos usando a estrutura do BB (acordo de 20 anos firmado em 2013), e a BB Seguros, que detém participações na Brasilseg (seguros de vida, rurais, habitacionais e residenciais), Brasilprev (previdência), Brasilcap (capitalização) e Brasildental (odontológico).

O modelo de negócios é leve em capital e fortemente apoiado na rede do Banco do Brasil — 3.997 agências, 17.547 correspondentes bancários, 49.802 terminais de autoatendimento e 23.858 pontos de rede compartilhada — o que garante capilaridade única e baixo custo de aquisição de clientes.&#x20;

A companhia também expande sua presença digital com a Plataforma Broto, criada em parceria com o BB para apoiar produtores rurais com crédito, seguros agrícolas e uma loja virtual de máquinas e insumos. A Brasilseg é uma das líderes do mercado de seguros rurais do país, enquanto a Brasilprev figura entre as maiores gestoras de previdência privada do Brasil.

|                              |                            |                                         |                                         |
| ---------------------------- | -------------------------- | --------------------------------------- | --------------------------------------- |
| **3.997** agências bancárias | **17.547** correspondentes | **49.802** terminais de autoatendimento | **23.858** pontos de rede compartilhada |

### 1T26: lucro recorde puxado pela Brasilprev

| Indicador                              | 1T25           | 1T26           | Var.       |
| -------------------------------------- | -------------- | -------------- | ---------- |
| Resultado das participações            | R$ 1.998,9 mi  | R$ 2.209,9 mi  | **+10,6%** |
| Prêmios emitidos                       | R$ 4.036,5 mi  | R$ 3.942,9 mi  | **-2,3%**  |
| Receita de previdência (contribuições) | R$ 13.385,9 mi | R$ 14.602,0 mi | **+9,1%**  |
| Receitas de corretagem                 | R$ 1.400,8 mi  | R$ 1.420,0 mi  | **+1,4%**  |
| Lucro líquido recorrente               | R$ 1.996,0 mi  | R$ 2.219,9 mi  | **+11,2%** |

O resultado financeiro consolidado avançou 58,5% com a Selic mais alta. A Brasilprev liderou o crescimento (lucro +51,1%, para R$ 538,1 mi), com captação líquida positiva de R$ 3,9 bi e resgates no menor patamar em 5 anos (7,9%). A Brasilcap cresceu 50,6% e a BB Corretora, 3,1%.&#x20;

A companhia negocia a P/L de 8,31x — abaixo da média histórica de 12,9x — com ROE de 72,72%.

* **Dividendos** — Mínimo de 25% do lucro ajustado, pago semestralmente. Mês mais provável: agosto (também fevereiro/março).
* **Governança** (peso 15%) — Boa; Banco do Brasil controla 68,26% das ações ON, mas parceiros privados detêm posições relevantes nas subsidiárias.
* **Potencial** (peso 15%) — Boas perspectivas apoiadas na base de clientes do BB, expansão digital e demanda por proteção e previdência.
* **Previsibilidade** (peso 15%) — Moderada, com valor de mercado crescente e resultados esperados em expansão no longo prazo.
* **Estrutura de capital** (peso 20%) — Sem dívida relevante, dado o segmento de negócio — não oferece preocupações nesse fator.
* **Vantagens competitivas** (peso 20%) — Acesso exclusivo à rede do BB, força da marca e sinergias entre subsidiárias correlacionadas.

**Valuation:** lucro líquido aceitável de R$ 9,1 bilhões e \~2 bilhões de ações resultam em LPA aceitável de R$ 4,56. Com P/L justo de 8,0x e P/VPA justo de 7,0x, o modelo quantitativo aponta R$ 37,85/ação. Os atributos qualitativos somam 85%, resultando em Valor Justo = 37,85 × (1 + 0,85) = **R$ 70,00/ação (BBSE3)**.

## O que pode mudar as três teses

* **Taesa:** alavancagem em alta (Dívida líquida/EBITDA de 4,2x) e maior custo financeiro em cenário de juros elevados; dependência de aprovações regulatórias para novos projetos.
* **Ferbasa:** forte dependência do ciclo global do aço inoxidável e do câmbio, com resultado já pressionado no 1T26 e prejuízo líquido no trimestre.
* **BB Seguridade:** queda do seguro agrícola (-27,9% nos prêmios) e sensibilidade das receitas de capitalização e corretagem a mudanças regulatórias e no cenário de juros.
* **Geral:** concentração de controle acionário nas três companhias (Fundação José Carvalho 98,8% ON na Ferbasa; Banco do Brasil 68,26% na BB Seguridade; Cemig e ISA Brasil \~63% na Taesa) centraliza decisões estratégicas relevantes.
* Rentabilidade e Dividend Yield passados não garantem manutenção dos proventos ou valorização futuros.
