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# As duas melhores Small Caps da bolsa

## Duas small caps, dois setores, um ponto em comum: desconto relevante

No 1T26, a Marcopolo apresentou resultados resilientes mesmo em um cenário de menor volume de produção: receita líquida de R$ 1,655 bilhão (-1,3% a/a), mas EBITDA de R$ 304,8 milhões (+16,3%) e lucro líquido de R$ 264,6 milhões (+8,8%).&#x20;

Nossa tese se apoia na liderança de mercado, na forte presença internacional e no novo ciclo do programa Caminho da Escola. Mantemos recomendação de **compra** para POMO4, com valor justo de R$ 13,50.

Já a Ferbasa reportou um 1T26 pressionado — receita de R$ 506,4 milhões (-7,9%) e prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões — mas segue com balanço muito sólido (caixa líquido de R$ 731 milhões).&#x20;

Nossa tese permanece apoiada no alto crescimento esperado para o ferrocromo no longo prazo e na estrutura verticalizada única entre os produtores das Américas. Mantemos recomendação de **compra** para FESA4, com valor justo de R$ 19,00.

## Marcopolo

### Uma das fabricantes de ônibus mais internacionalizadas do Brasil

**POMO3/POMO4**

<figure><img src="/files/1EQi0FAWxZu9AZqMy8e7" alt=""><figcaption></figcaption></figure>

Fundada em 1949 em Caxias do Sul (RS), a Marcopolo iniciou suas atividades produzindo carrocerias metálicas e, ao longo das décadas, expandiu sua atuação para diversos mercados internacionais.&#x20;

Mantém operações industriais e comerciais na Austrália, África do Sul, Argentina, México e China, além de participações relevantes na Colômbia e no Canadá — diversificação que reduz sua dependência do cenário econômico brasileiro.&#x20;

As operações internacionais representaram cerca de 36% da receita líquida consolidada no 1T26, com destaque para a operação australiana Volgren, em forte crescimento.

A companhia organiza suas operações em quatro segmentos — ônibus rodoviários, ônibus urbanos, micro-ônibus/Volare e as frentes Marcopolo Rail, Parts e Moneo (banco próprio).&#x20;

O programa **Caminho da Escola**, criado em 2007, segue como principal vetor de demanda no segmento de micro-ônibus: em abril de 2026 a companhia se habilitou na Fase 13 para fornecer até 7.210 unidades, com entregas a partir do 3T26, melhorando substancialmente a previsibilidade de produção para 2026 e 2027.&#x20;

A inovação segue como pilar estratégico via Marcopolo Next, voltada a veículos elétricos e soluções alternativas ao diesel.

|                                   |                               |                                                |                                      |
| --------------------------------- | ----------------------------- | ---------------------------------------------- | ------------------------------------ |
| **\~43,5%** market share (Brasil) | **36%** receita internacional | **7.210** unidades — Fase 13 Caminho da Escola | **1949** fundação (Caxias do Sul/RS) |

### 1T26: resultados resilientes apesar do menor volume

| Indicador              | 1T25              | 1T26                | Var.       |
| ---------------------- | ----------------- | ------------------- | ---------- |
| Receita líquida        | R$ 1,677 bi       | R$ 1,655 bi         | **-1,3%**  |
| EBITDA (margem)        | R$ 262 mi (15,6%) | R$ 304,8 mi (18,4%) | **+16,3%** |
| Lucro líquido (margem) | R$ 243 mi (14,5%) | R$ 264,6 mi (16,0%) | **+8,8%**  |
| Produção consolidada   | 3.294 un.         | 2.997 un.           | **-9,0%**  |
| ROE / ROIC             | 28,5% / 26,3%     | 32,8% / 24,7%       | n.d.       |

A produção consolidada caiu 9,0% (2.695 unidades no Brasil, -6,5%; 363 nas operações internacionais, -33,5%), impactada pela desaceleração dos segmentos rodoviário e urbano e pelo ambiente mais desafiador na Argentina e México. Ainda assim, a companhia manteve market share de 43,5% no Brasil e encerrou março de 2026 com caixa de R$ 1,828 bilhão e dívida líquida industrial de apenas R$ 251 milhões (\~0,2x EBITDA 12m).

* **Dividendos** — Mínimo estatutário de 25% do lucro líquido; yield de 12,53% em 12 meses, com pagamentos mais comuns em março.
* **Governança** (peso 15%) — Boa; controlador detém 55,4% das ações ON. CEO André Vidal Armaganijan desde abril/2023.
* **Potencial de crescimento** (peso 20%) — Moderado — presença consolidada, limitado pela exposição a ciclos econômicos e crédito.
* **Previsibilidade** (peso 15%) — Moderada, dada a maior sensibilidade a questões macroeconômicas.
* **Estrutura de capital** (peso 20%) — Boa estabilidade financeira, endividamento líquido controlado.
* **Vantagens competitivas** (peso 20%) — Líder de mercado (\~50% share de ônibus), diversificação geográfica e engenharia especializada para qualquer chassi, incluindo elétricos.

**Valuation:** lucro líquido aceitável de R$ 750 milhões e \~1,25 bilhão de ações resultam em LPA aceitável de R$ 0,60. Com P/L justo de 16,0x e P/VPA justo de 1,8x, o modelo quantitativo aponta R$ 7,10/ação. Os atributos qualitativos somam 90%, resultando em Valor Justo = 7,10 × (1 + 0,90) = **R$ 13,50/ação (POMO4)**.

## Ferbasa

### A única produtora verticalizada de ferrocromo das Américas

**FESA3/FESA4**

<figure><img src="/files/Pe695xM3327XzPYNyo9H" alt=""><figcaption></figcaption></figure>

Fundada em 1961 por José Carvalho em Campo Formoso (BA), a Ferbasa é uma das principais produtoras brasileiras de ferroligas, com forte presença em ferrocromo e ferrossilício e atuação também na mineração de cromita.&#x20;

Consolidou uma operação verticalizada — mineração, produção industrial e geração própria de energia — que aumenta eficiência e competitividade. A controladora é a Fundação José Carvalho, criada pelo fundador para financiar projetos sociais e educacionais na Bahia e detentora de 98,8% das ações ordinárias, conferindo à companhia um perfil historicamente conservador, com baixa alavancagem e visão de longo prazo.

A companhia atua em quatro linhas de negócio: mineração de cromita e quartzo (Centro-Norte e Nordeste da Bahia), florestamento (64 mil hectares, 25 mil de eucalipto renovável — fonte do biorredutor usado na metalurgia), metalurgia (Ferrocromo Alto/Baixo Carbono, Ferrossilício e Ferrossilício 75 Alta Pureza, fabricados em 14 fornos elétricos em Pojuca/BA) e energia (Complexo Eólico BW Guirapá, 7 parques, 170,2 MW, PPA com a CCEE até 2036).&#x20;

Aproximadamente metade da receita é exportada para Ásia, Europa e Américas, tornando o modelo fortemente ligado ao ciclo global do aço inoxidável.

|                                   |                                     |                                      |                                      |
| --------------------------------- | ----------------------------------- | ------------------------------------ | ------------------------------------ |
| **98,8%** ações ON com a Fundação | **14** fornos elétricos (Pojuca/BA) | **170,2 MW** complexo eólico próprio | **1961** fundação (Campo Formoso/BA) |

### 1T26: balanço sólido apesar do trimestre fraco

| Indicador                | 1T25               | 1T26              | Var.          |
| ------------------------ | ------------------ | ----------------- | ------------- |
| Receita líquida          | R$ 549,8 mi        | R$ 506,4 mi       | **-7,9%**     |
| EBITDA ajustado (margem) | R$ 61,1 mi (11,1%) | R$ 44,1 mi (8,7%) | **-27,8%**    |
| Produção consolidada     | 75,9 mil t         | 72,6 mil t        | **-4,3%**     |
| CPV / receita líquida    | 86,5%              | 90,6%             | **+4,1 p.p.** |
| Resultado líquido        | R$ 24,2 mi         | -R$ 2,4 mi        | n.d.          |

A queda de 8% no volume vendido e a redução de 10,3% no dólar médio pressionaram a receita, enquanto o CPV caiu apenas 3,6% — comprimindo margens. Ainda assim, o caixa líquido de R$ 731 milhões (+R$ 12,6 mi vs. 4T25) sustenta um balanço sólido, e o P/L de \~13,7x segue atrativo.

* **Dividendos** — Mínimo de 25% do lucro líquido. Pagamentos mais prováveis em setembro, janeiro, junho e dezembro.
* **Governança** (peso 10%) — Boa; controlada pela Fundação José Carvalho (98,8% ON), que depende da Ferbasa para sua sobrevivência.
* **Potencial** (peso 15%) — Moderado — verticalização favorece eficiência, mas há forte dependência do ciclo de commodities.
* **Previsibilidade** (peso 10%) — Moderada, dada a ciclicidade das commodities produzidas.
* **Estrutura de capital** (peso 20%) — Boa estabilidade financeira, estrutura de capital sempre bem otimizada.
* **Vantagens competitivas** (peso 15%) — Estrutura verticalizada única entre pares e situação financeira adequada mesmo após novos investimentos.

**Valuation:** lucro líquido aceitável de R$ 520 milhões e \~350 milhões de ações resultam em LPA aceitável de R$ 1,48. Com P/L justo de 9,0x e P/VPA justo de 1,0x, o modelo quantitativo aponta R$ 11,18/ação (FESA4). Os atributos qualitativos somam 70%, resultando em Valor Justo = 11,18 × (1 + 0,70) = **R$ 19,00/ação (FESA4)**.

## O que pode mudar as duas teses

* **Marcopolo:** baixa adesão de estados e municípios à Fase 13 do Caminho da Escola, adiando entregas previstas a partir do 3T26; juros elevados na Argentina e no México pressionando as operações internacionais.
* **Marcopolo:** ciclicidade dos volumes de produção nos segmentos rodoviário e urbano no Brasil, sensíveis ao crédito e à atividade econômica, além de pressão de custos em insumos-chave (aço) e exposição cambial.
* **Ferbasa:** forte dependência do ciclo global do aço inoxidável e do câmbio, com resultado já pressionado no 1T26 e prejuízo líquido no trimestre.
* **Ferbasa:** concentração de controle na Fundação José Carvalho (98,8% ON), que decide reorganizações societárias e política de dividendos.
* Rentabilidade passada não garante manutenção dos proventos ou valorização futuros em nenhuma das duas teses.
